16 de mai. de 2009

Manifestações contra o AI-5 digital ou "PL Azeredo"


Após uma longa ciberagitação pela internet, realizou-se na Assembléia Legislativa de São Paulo o ato contra o "AI-5 digital" (PL Substitutivo do Senador Azeredo (PSDB/MG) regulamentando o uso da internet).

Foram postados no Youtube diversos vídeos divulgando e cobrindo o ato. Aqui indicaremos alguns deles.

O post que inserimos anteriormente, sobre a aprovação de PL análogo pela base parlamentar do governo Sarkozy na França, mostra que atualmente há uma movimentação internacional das forças conservadores e de grandes interesses empresariais, bem como de marajás da indústria cultural, contra o compartilhamento de informações e a livre circulação de arquivos pela Web.

Como se vê, não são apenas os regimes ditatoriais pelo mundo afora que impõem restrições ao uso da Web pelos internautas.

Um sinal de que estes setores articulam a aprovação urgente da lei -- assim como na França -- são algumas matérias que sairam em órgãos da grande imprensa nesta semana sobre os "crimes" na internet.

Lobistas já estão atuando e o relator da proposição tirou da manga um parecer favorável à aprovação da proposição [
clique aqui para informações sobre a estratégia a ser empregada pelos interessados na sua aprovação].

Tendo em vista a composição de nosso Congresso, sempre subserviente aos interesses mais conservadores, a tendência é que o PL seja aprovado ficando o ônus do veto de seus dispositivos mais draconianos para o presidente Lula. Pelo menos é o que prognosticamos aqui (17/05/2009).

13 de mai. de 2009

França pode cortar internet de usuário que baixar conteúdo ilegal


São Paulo - 'Piratas' receberão 3 avisos antes de ter internet interrompida por até 1 ano. Lei ainda precisa ser aprovada no Senado francês.

A França quer desconectar os usuários de internet que baixarem conteúdo ilegal ou protegido por direitos autorais. A lei antipirataria foi aprovada na terça-feira (12/05) pela Assembleia Nacional da França (equivalente à Câmara dos Deputados brasileira).

Segundo o jornal britânico The Guardian, o projeto de lei criará uma nova agência governamental chamada Hadopi - a sigla significa “Alta Autoridade para Difusão de Obras de Arte e proteção de Direitos na Internet”.

O grupo enviará uma mensagem para qualquer usuário que tenha infringido direitos autorais online. Se for necessário, a mensagem será enviada duas vezes. Quando as autoridades forem informadas sobre uma terceira infração, o acesso à internet do cliente pode ser interrompido por um período de dois a 12 meses, sem direito a apelação na justiça.

Grupos de consumidores disseram que a criação de um corpo “não-jurídico” com tais poderes “ameaça as liberdades civis”. Atualmente, ações contra compartilhamento ilegal de conteúdo são levadas para a corte francesa.

Advogados afirmaram que a determinação dos parlamentares franceses pode transgredir a Convenção Europeia de Direitos Humanos. A esperada reforma na regulamentação das telecomunicações pela União Europeia tem enfrentado muitas controvérsias se as cortes devem ou não ser envolvidas nos processos.

A lei ainda precisa ser votada pelo Senado e a expectativa é de que seja aprovada já na próxima semana.

Fonte: http://idgnow.uol.com.br/internet/2009/05/13/franca-pode-cortar-internet-de-usuario-que-baixar-conteudo-ilegal/

Trata-se de um projeto polêmico, que regula uma questão que está sendo discutida internacionalmente. Em breve, nossa opinião sobre o assunto. Embaixo, alguns subsídios para uma discussão mais fundamentada do tema [SSB]
Aqui o texto do projeto, originalmente enviado à Assembléia Nacional Francesa em 28 de junho de 2008
Aqui a íntegra da reunião legislativa onde foi debatido o projeto
Aqui o resultado da votação
Aqui a o PL aprovado após as modificações, a ser enviado para o Senado
Abaixo o vídeo da sessão

12 de mai. de 2009

A descoberta do óbvio: Obama Divide


A revista Veja publica nesta semana uma longa entrevista com Ben Self, um dos estrategistas da campanha de Barack Obama. Ben Self descobriu o óbvio, ou seja, que a Internet, por suas características enquanto mídia e ferramente tecnológica, pode ser usada como um poderoso instrumento de estímulo à ação coletiva e de agregação de vontades e decisões individuais (dentro das quais podemos incluir as campanhas eleitorais). Por causa de sua importância, postaremos a entrevista na íntegra. Agreguemos apenas que já há uma ampla bibliografia acadêmica analisando as inovações introduzidas pelo Staff de Barack Obama em sua última campanha, que iremos postando aos poucos aqui neste blog. Aguardem.

Por ora, postaremos uma entrevista que concedemos no início deste ano à rádio CBN analisando alguns aspectos do fenômeno (cf. o link abaixo) BRAGA, Sérgio. . Como a internet pode ser um canal de comunicação entre o governo e a sociedade? (entrevista à rádio CBN) [disponível em: http://cbn.globoradio.globo.com/programas/cbn-total/2009/01/01/COMO-A-INTERNET-PODE-SER-UM-CANAL-DE-COMUNICACAO-ENTRE-O-GOVERNO-E-A-SOCIEDADE.htm]. 2009. (Apresentação em rádio ou TV/Outra).

(SSB).


Entrevista

A internet de Barack Obama

11/05/2009 18:39

Ben Self foi um dos responsáveis pelo uso revolucionário da internet nas eleições para a presidência dos Estados Unidos. Sócio fundador da Blue State Digital, empresa especializada na criação de estratégias on-line, Self atuou como diretor de tecnologia do partido Democrata durante a campanha vitoriosa de Barack Obama. Ele vem ao Brasil entre os dias 17 e 21 de maio, e vai se encontrar com políticos, empresários e representantes de ongs em São Paulo, Brasília e Porto Alegre. Ele concedeu a seguinte entrevista ao editor de VEJA Diogo Schelp de sua casa em Lexington, Kentucky.

Algum político brasileiro entrou em contato com vocês para ajudá-los na campanha do ano que vem?
Sim, iniciamos conversas com alguns, para ver se estabelecemos uma parceria. Nada estabelecido, ainda. Nós já estamos trabalhando na Inglaterra, no México, na Nova Zelândia. Mas não posso dizer ainda quem entrou em contato conosco no Brasil.

De que maneira a internet ajudou na vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais do ano passado?
A ideia era construir uma relação diferente com os eleitores, usando a internet de maneira transparente. A grande vantagem da tecnologia é que ela nos permitiu falar diretamente com as pessoas.

Que recursos vocês utilizaram para isso?
Usamos um software que registra tudo sobre as pessoas que frequentavam o site do candidato, desde nome e email até o tipo de interação que elas tiveram com a campanha. Conseguíamos, por exemplo, saber quais eleitores liam os email que enviávamos e em quais links das mensagens eles clicavam. Havia também uma ferramenta que transformava os apoiadores de Obama em cabos eleitorais por telefone. Com base em informações que disponibilizávamos no site da campanha sobre eleitores indecisos, os apoiadores de Obama podiam ligar para cada um deles sem sair de casa, para fazer propaganda. Em outros tempos teríamos de ter uma central de telemarketing. Outra ferramenta do nosso site era chamada “Vizinho a vizinho”. As pessoas encontravam na página de Obama o endereço dos dez eleitores indecisos mais perto de sua casa. O voluntário, então, ia até a casa dessas pessoas, conversava com elas e, na volta, colocava todas as informações coletadas no nosso site, contribuindo para o nosso gigantesco banco de dados. Com isso, éramos capazes de saber quem ainda precisava ser convencido a votar em Obama e com quais argumentos.

Não há um problema de privacidade nessa estratégia?
Não, por dois motivos. Primeiro porque, nos Estados Unidos, qualquer um pode ir a uma repartição do seu estado e pedir uma lista dos eleitores registrados. Segundo porque as únicas informações que a gente dava no site era o nome e o endereço dos eleitores, o que pode ser encontrado na lista telefônica. São informações públicas.

Como vocês usavam a internet para financiar a campanha?
Uma técnica muito comum para conseguir doações de campanha nos Estados Unidos é enviar um email com a seguinte proposta ao eleitor: “Temos uma empresa disposta a doar 3 dólares para cada dólar que você der para a campanha, desde que você o faça no prazo de três dias.” As pessoas não acreditavam nessa conversa. Resolvemos adotar um método diferente. Enviamos email para cada uma das pessoas que já haviam doado dinheiro para a campanha de Obama e perguntamos a elas se aceitariam dar 10 dólares se conseguíssemos convencer outros eleitores a doar também. O próximo passo foi enviar mensagens para apoiadores de Obama que nunca haviam doado antes com a seguinte informação: “Temos 10.000 pessoas que dizem estar dispostas a doar de novo, se você doar 10 dólares. E para provar o que estamos falando, vamos lhe colocar em contato com essas pessoas, para que vocês possam trocar mensagens sobre Obama”. Esse tipo de realismo e de transparência, conectando eleitores aleatórios que não têm nada em comum além da paixão pelo mesmo candidato, foi realmente um instrumento poderoso para mobilizar apoiadores e doadores.

Por que a estratégia das doações pequenas funciona melhor do que os meios tradicionais de financiamento de campanha?
Há muita energia acumulada nas campanhas políticas. Em vez de ter algumas milhares de doações de alto valor, conseguimos 3,2 milhões de pessoas dispostas a dar pequenos valores, de menos de 100 dólares. Tínhamos uma lista de email com 13 milhões de contatos. Se conseguíssemos que toda essa gente fizesse algo pela campanha, sabíamos que muita coisa seria realizada. Essa rede massiva de voluntários permitiu que nós conversássemos com mais eleitores do que jamais imaginaríamos que seria possível. A quantidade de dinheiro arrecadado on-line, que foi superior a meio bilhão de dólares, esmagou qualquer outra fonte de arrecadação. Você consegue mais dinheiro de muita gente dando pouca quantidade do que de pouca gente capaz de doar muito dinheiro cada uma.

Como vocês fizeram para construir essa gigantesca base de dados on-line?
Ela começou muito pequena. O que fizemos foi transformar as pessoas que visitavam nosso website em fontes de informação para o banco de dados. No site de Obama, elas eram estimuladas a fornecer o seu endereço, o seu nome e a se envolver de alguma forma na campanha. Havia, logo na primeira página, quinze maneiras diferentes de se fazer isso. Desde as ferramentas de que já falamos, até a possibilidade de sediar festas, descobrir onde estavam acontecendo os comícios mais próximos. Bastava digitar o código postal de sua rua. Havia sempre algo que se encaixava dentro das possibilidades do visitante do site. Desta forma, a lista de participantes foi crescendo, e com a ela nosso banco de dados.

Os vídeos de Obama no site foram vistos mais de 15 milhões de vezes. O que explica essa popularidade?
Não eram apenas vídeos de uma candidato parado falando para a câmera. Eram vídeos interessantes. Não eram chatos. O famoso discurso sobre raça que Obama fez na Filadélfia, de 45 minutos, foi visto por mais gente na internet do que em todos os canais de TV somados. A habilidade para criar uma relação com as pessoas e falar diretamente com elas, em vez de através uma propaganda de 30 segundos na TV, foi a grande diferença.

Essa estratégia deu certo porque Obama é popular, ou poderia ter funcionado com qualquer político?
De fato, foi uma circunstância muito especial. Era um grande candidato. Se você não tem Barack Obama, provavelmente não conseguiria arrecadar meio bilhão de dólares on-line. Mas a estratégia não está atrelada a um único candidato. Ela lida com a natureza humana e é sobre construir relacionamentos entre as pessoas. Isso vale para qualquer país. Esteja você trabalhando para uma empresa ou para um candidato. Nós temos mais de 200 clientes, todos se valendo dessas estratégias, seja uma grande corporação, uma pequena empresa ou universidades.

A arrecadação de doações on-line pode ser a solução para a questão do financiamento de campanhas, desvencilhando os candidatos tanto do dinheiro público quanto das doações de grandes empresas?
Nos Estados Unidos, há um limite de quanto se pode doar a uma campanha. É pouco mais de 2.000 dólares. A possibilidade de conseguir um grande número de pequenos doadores on-line é um grande negócio para a política e para a democracia. Isso resolve boa parte do problema com dinheiro na política. Você deixa de ter aquela única empresa ou pessoa que tem tanto poder sobre o político e passa a depender de uma vasta massa de pessoas que vão cobrá-lo não pelas pequenas doações que deram, mas por temas de interesse do país.

Em um país onde nem toda a população está conectada à internet, como é o caso do Brasil, uma estratégia como essa pode funcionar?
Seria preciso adaptar algumas das ferramentas on-line. Pode-se, por exemplo, ampliar o uso das mensagens enviadas para telefone celular. Você não consegue angariar eleitores suficientes para eleger ninguém pela internet. O que se faz é usar a internet para envolver um certo número de pessoas na campanha. Elas saem do mundo virtual para o mundo real para convencer outros eleitores a votar em seu candidato. Mesmo que sejam só 10% dos eleitores, você pode transformá-los em ativistas para sua campanha e convencê-los a sair para falar com os outros 90%. E é preciso lembrar que o número de pessoas conectadas só tende a aumentar.

A campanha on-line também é mais barata?
Sim. Os gastos com os serviços on-line em uma campanha são ínfimos. A maior parte do dinheiro é gasto em propagandas de televisão e em mão-de-obra.

De que maneira a internet pode devastar uma candidatura?
Para os políticos, nenhuma conversa é privada com a internet. Você tem de partir do princípio de que tudo o que você fala fora de casa está sendo gravado ou filmado e que isso vai parar na internet, se for comprometedor. Portanto, não se pode dizer nada que possa lhe constranger. Em 2006, esse fenômeno ajudou a eleger um senador da Virgínia, quando se espalhou um vídeo do seu oponente fazendo comentários racistas. A facilidade de colocar vídeos na internet promoveu uma grande mudança de comportamento na política. Isso é bom, porque quanto mais informação se tem sobre um político, tanto melhor. Mas a internet também permite ser muito rápido na resposta, ser relevante para explicar os fatos e boatos.

De que forma sites de relacionamento como Orkut, MySpace e Facebook podem ser úteis para uma candidatura?
Quando você tem uma comunidade de pessoas já engajadas em torno de assuntos específicos, como é o caso das redes sociais, pode-se usá-la também para discutir questões políticas. Através desses sites, é possível se comunicar com estas pessoas num ambiente em que elas se sentem confortáveis. Essa é a grande transformação que veio com a campanha de Obama: canalizar a energia comunicativa das pessoas que estão conectadas à internet, seja no Facebook, no Twitter ou no site do candidato, para uma ação política relevante. Pode-se transformar esse entusiasmo com as novas tecnologias em voluntariado para a campanha, por exemplo.

Fonte: Revista Veja (11/05/2009) [Link aqui]


Papers 8º Lusocon



No site da Universidade Lusófona podem ser baixados vários papers do recém-realizado 8º Lusocon. Há muito material interessante lá para quem quer atualizar-se sobre trabalhos recentes na área e encontrar inspiração para suas próprias pesquisas. (Porque la vida es gratis)

Foram apresentados os seguintes "papers" sobre a temática da internet:

Comunicação Política

A Comunicação Política na Era da Internet Resumo PDF
João Canavilhas

Comunicação Audiovisual e Multimédia

As TIC como instrumento útil nos processos de recuperação de dependentes de pornografia disponibilizada na Internet Resumo PDF
Ana Sofia Neves, Rui Raposo

Sociedade da Informação e Novas Tecnologias

O Consumo da Internet nas Sociedades Luso-Brasileira Resumo PDF
José Gabriel Andrade

Estética, Arte e Design

A Arte de Internet: na fronteira entre Arte e Tecnologia Resumo PDF
Inês Mécia de Albuquerque
A influência da internet no design gráfico das publicações em papel Resumo PDF
Sabrina Bleicher, Ana Isabel Veloso, Berenice Santos Gonçalves

(SSB)

11 de mai. de 2009

Interatividade Nula


A edição de ontem da Gazeta do Povo publicou três longas reportagens sobre o uso da internet pelos políticos brasileiros. Numa delas, divulgamos resultados parciais de algumas pesquisas que realizamos sobre o assunto. Em breve, postaremos neste blog as versões integrais de algumas delas. [SSB]

Vida Pública

Segunda-feira, 11/05/2009

Correspondência eletrônica

(Não) fale conosco

Políticos usam mal a internet como instrumento de diálogo com os cidadãos. Uns demoram a responder, outros são grosseiros e a maioria ignora os e-mails recebidos

Publicado em 10/05/2009 | Brasília e Curitiba - André Gonçalves e Euclides Lucas Garci

Entrar em contato com a maioria dos políticos em exercício de mandato exige bastante paciência por parte do cidadão. Apesar das novas ferramentas digitais, como blogs e twitter, além do não tão recente e-mail e das velhas cartas de papel, a população encontra dificuldades para dialogar com seus representantes.

Nos últimos dois meses, a Gazeta do Povo enviou e-mails com nomes fictícios sobre variados temas para o presidente Lula (PT), o governador Roberto Requião (PMDB), o prefeito Beto Richa (PSDB) e os 30 deputados federais e três senadores do estado. Obteve apenas 11 respostas até sexta-feira.

Requião foi o mais ágil, embora quase todas as respostas encaminhadas por ele tenham sido agressivas.

Dentre os congressistas, o senador Osmar Dias (PDT) e o deputado federal Dr. Rosinha (PT) foram os únicos parlamentares a retornar as mensagens. Assim como eles, todos demais foram questionados sobre o escândalo das passagens aéreas.

Ao prefeito Beto Richa, a reportagem pediu explicações sobre a prorrogação do contrato com a empresa que opera o sistema de radares em Curitiba – o que foi questionado pelo Ministério Público Estadual. Uma outra mensagem solicitava informações sobre a conclusão das obras na Linha Verde. Apesar de a assessoria da prefeitura garantir que o prazo médio de retorno dos e-mails é de três dias, ambas as mensagens – que, de fato, esclareceram as dúvidas levantadas – foram respondidas somente nove dias depois do envio.

O presidente Lula foi questionado no dia 22 de abril sobre as ações do governo federal para amenizar a crise no comércio de carros usados. De acordo com o departamento responsável pela correspondência do Palácio do Planalto, as respostas costumam demorar no máximo dez dias. No entanto, a mensagem da Gazeta do Povo foi respondida no 12º dia e apenas agradecia o envio do e-mail.

Blogs

No mesmo dia em que a mensagem foi enviada, o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, anunciou que o presidente deve criar um blog até o final do ano.

A ferramenta foi utilizada durante toda a campanha de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos e foi mantida após a posse na Casa Branca. Obama também usa o twitter e conseguiu a maior parte das doações por meio do site de campanha.

No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral deve entregar até o final deste mês um estudo sobre a viabilidade das doações eleitorais pela internet.

Entre os congressistas paranaenses, apenas Alvaro Dias (PSDB) tem um blog. A ferramenta também foi utilizada por Beto Richa e Gleisi Hoffmann (PT) durante a campanha à prefeitura de Curitiba. Gleisi atualmente usa o twitter, assim como o marido, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Problema geral

O descaso com o uso de instrumentos digitais de comunicação com os eleitores não é restrito aos políticos do Paraná. O cientista político Sérgio Braga, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), fez uma pesquisa em maio de 2008 nas 27 assembleias legislativas do país e detectou que 66% dos 1.059 deputados estaduais brasileiros não têm site próprio.

Logo depois, durante as eleições municipais, Braga fez um levantamento entre os cerca de 1,5 mil candidatos a vereadores das três capitais do Sul do Brasil – Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. Apenas 366 construíram sites de campanha.

Segundo ele, os políticos ainda não perceberam os ganhos possíveis com o uso da internet. “A maioria dos deputados, por exemplo, não tem o hábito de responder a e-mails porque acha que o mandato está mais ligado a outras coisas, que não tem a ver com o diálogo com o eleitor”, explica.

No entanto, o cientista político destaca que as ferramentas digitais ajudam a dar credibilidade aos governantes. “Elas são a melhor maneira de dar transparência às campanhas e mandatos, mas não têm resultado imediato. Servem como uma maneira de fidelizar o eleitor ao longo do tempo.”

10 de mai. de 2009

Domingueira



Evidentemente que há muitas outras coisas ocorrendo na Web além da Política, que tem dado origem a pesquisas com diferentes graus de profundidade e abrangência. Vejam abaixo o interessante inventário efetuado por quem se assina Don von Schriltz , na lista Piazzolla.org. Desconheço quaisquer pesquisas de natureza homóloga sobre atividades políticas no youtube. Oxalá a leitura do relato de nosso meticuloso von Schiltz estimule os politólogos a efeturem pesquisas semelhantes sobre as atividades políticas no "você no tubo", como querem os puristas da língua.

There were 490 videos of Piazzolla’s music posted on YouTube in the month of April, 2009 – down slightly from the 514 videos found in the previous month. 385 (79%) of the videos were performance videos featuring live performances. The others were videos which used Piazzolla’s music as a sound track for photo or video montages. I highlighted my journey through these many videos in my Piazzola on Video blog which I hope some of you have visited.

Forty-two percent of the performance videos were in the classical mode, 24% in Nuevo tango, 22% in pop and 12% in jazz.

Here are the most frequently performed pieces this month (Libertango was the most frequently played – 24% of the total; the others follow in order):


1. Libertango
2. Oblivion

3. Adios Nonino

4. Verano Porteño

5. Histoire du Tango - Cafe 1930
6.
Otoño Porteño
7.
La muerte del angel
8.
Invierno Porteño
9.
Concierto for bandoneon and orchestra
10.
Histoire du Tango - Nightclub 1960

The top three on this list seem to be fairly stable month-to-month but the bottom seven change every month.

The performance videos came from 49 different countries. As might be expected, Argentina posted the most videos: 83. The top ten posting countries are listed in order here:

1. Argentina

2. Italy

3. France

4. USA

5. Russia

6. Spain

7. Germany

8. Ukraine

9. Netherlands

10. Romania


There were 7 videos posted which featured performances or interviews with Piazzolla. Two of these have not been posted before on YouTube although one is available on a commercial DVD.

Quality of performance varied from excellent to bizarre. My favorite performance of the month was the Camerata Porteña's version of Escualo. Although the instrumentation is a bit unusual, the sound is pure Nuevo Tango.


The choice for most bizarre this month was difficult. I have chosen a video which is more unusual than bizarre. It features a father/son duo playing saxophone and drums in a video titled Garden Piazzolla. It makes me wonder if Astor Piazzolla ever sat in the garden with his bandoneon while his grandson, Pipi, played drums.


I have put a table with links to all 490 videos as well as some more information on the videos on the April link in my Piazzolla Video Website.


Fonte: astor@forum.piazzolla.org


9 de mai. de 2009

Malefícios do Twitter


Estudo liderado por António Damásio alerta para malefícios do Twitter









Estudo liderado por António Damásio alerta para malefícios do Twitter

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De acordo com o estudo da equipa do neurocientista António Damásio, redes sociais como o Twitter diminuem a empatia entre os jovens.

As redes sociais como o Twitter são prejudiciais ao sentimento de empatia, de acordo com um estudo desenvolvido pelo grupo de investigadores do Brain and Creativity Institute da University of South California (USC), dirigido pelo neurocientista português António Damásio.

Os mais jovens são, na óptica dos autores, o grupo mais sujeito ao risco emocional, já que, para além de estarem em desenvolvimento, estão ligados à difusão massiva das notícias televisivas e das redes sociais.

O grupo de neurocientistas concluiu que o cérebro leva cerca de seis a oito segundos a reagir a situações de sofrimento psicológico alheio e de admiração por uma virtude ou habilidade. Em declarações à CNN, os neurocientistas da USC questionaram até que ponto a rápida sucessão de acontecimentos dos media não impede a experiência completa das emoções e que implicações esta lacuna pode ter na moralidade individual. Por isso, António Damásio alerta para a necessidade de tornar a difusão das notícias mais lenta.

Embora ainda não tenha tido acesso ao estudo completo, que só é publicado esta semana na
Proceedings of the National Academy of Sciences Online Early Edition, Pedro Abreu, neurologista do Hospital de São João, lança algumas questões sobre o impacto desta descoberta.

"O ser humano, apesar de ter um sentido crítico, poderá, segundo este estudo, não ter tempo suficiente para reflectir e efectuar julgamentos morais correctos, quando exposto a notícias sequenciais, em suportes como o Feed ou o Twitter", esclarece. Por isso, um dos desafios do estudo "será perceber como esta descoberta poderá explicar os aspectos sociais positivos e negativos que sabemos existirem nestas redes e qual o seu impacto real no comportamento moral final dos indivíduos quando expostos a estes estímulos".


O estudo


Para o estudo, treze indivíduos visualizaram histórias reais. A reacção a essas situações foi avaliada segundo entrevistas realizadas antes e depois da visualização das histórias pelos indivíduos.


A conclusão a que os investigadores chegaram é que o cérebro humano tem capacidade de processar informação com grande rapidez, chegando a responder em fracções de segundo a indicadores de dor física. No entanto, perante situações que suscitem admiração ou compaixão, emoções exclusivamente humanas, os investigadores realçam que o tempo de resposta é muito maior.


"A dor física desperta uma reacção mais rápida provavelmente por fazer parte dos mecanismos de autodefesa do ser humano, isto em detrimento da dor psicológica", esclareceu, ao JPN, Pedro Abreu. No entanto, depois de desencadeadas as emoções, as respectivas respostas tiveram uma duração maior do que as reacções a sinais de dor física.


"Este trabalho abrirá com certeza novas linhas de investigação na sociobiologia", remata o neurologista.


Fonte: http://jpn.icicom.up.pt/2009/04/20/estudo_liderado_por_antonio_damasio_alerta_para_maleficios_do_twitter.html


Texto do dia: Gaetano Mosca, "The ruling class"


Disponibilizamos neste blog o link para o livro clássico e fundamental de Gaetano Mosca, "The ruling class" (pode ser baixado ou flipado clicando-se aqui).

Mas o que livro de Mosca tem a ver com o tema das relações entre internet e política?

É que uma das questões centrais postas pela literatura é justamente a dos impactos das TICs sobre as atividades dos vários segmentos das elites dirigentes nas sociedades contemporâneas.

Para uns ("ciberpessimistas") a internet terá pouco impacto sobre os valores, as motivações, as estratégias e os comportamentos de tais elites, reproduzindo apenas a "política como usual" (Margolis & Resnick, 2000; leia um bom resumo do livro aqui).

Para outros ("ciberotimistas"), a Web produzirá impactos significativos nas ações das elites dirigentes e em suas relações com os cidadãos comuns, possibilitando mesmo a emergência de novas formas de democracia, "para além" do marco institucional vigente das democracias liberais, parlamentares ou "representantivas". [(Clique aqui para um apanhado bem-informado deste debate acadêmico por alguns dos principais especialistas do assunto: Norris (2000), Gomes (2007) - breve o link].

De qualquer maneira, parece haver um certo consenso de que, sem um conhecimento preciso das elites e das instituições que organizam as sociedades contemporâneas, não se pode avaliar com precisão o impactos das TICs sobre os sistemas políticos (democráticos ou não) realmente existentes (não confundir com versões idealizadas destes).

8 de mai. de 2009

Cansados de Gilmar Mendes



O objetivo deste blog é divulgar e comentar as atividades políticas interessantes e criativas que ocorrem na Web, independentemente de seu conteúdo ideológico. A partir dessa perspectiva axiologicamente neutra não podemos deixar de divulgar o movimento "saia às ruas Gilmar Mendes" que, tendo em vista a indignação que a postura arrogante do Exmo. Ministro causou na classe média "republicana" e na opinião pública de uma maneira geral, pode se propagar mais rápido do que a gripe porcina.
[SSB]


SAIA ÀS RUAS em sua cidade!!!


Amigos,

Agora é a hora de nacionalizar por completo nosso movimento! Nós aqui de Brasília começamos com uma manifestação de 10 pessoas e conseguimos, só com a indignação popular, juntar 3000 em duas semanas! Os atos por aqui vão continuar, cada vez mais exigindo que Gilmar escute o povo e saia as ruas e não volte ao STF! Porém é fundamental que o movimento seja maior em todo o país, para demonstrar a indignação nacional.

Em São Paulo, o pessoal começou com um bom exemplo, já começaram maiores que aqui em Brasília com um primeiro ato com quase 50 pessoas! Precisamos que você também se junte, contacte sua faculdade, seus colegas de emprego, sua família, entidades sociais que queiram lutar por um país republicano!!!!

Se estiver em São Paulo, por exemplo, mande um email para João Gomes (folico@gmail.com) e ajude-os a organizar uma reunião para marcarmos mais vígilias!

Se estiver em Minas Gerais, mande um email para Laura Furquim (laurafwxavier@uol.com.br).

Se estiver na Bahia, mande um email para Paula (paula.pac@hotmail.com) ou para Marcus (vini__lima@hotmail.com).

Se estiver no Paraná, mande um email para o Marcos (mr.mrp1@gmail.com).

Esperamos mais contatos de quem se prontificar a ajudar ou a coordenar nesses ou em outros Estados! Temos que ter gente passando o recado das ruas em todo o país!!!!!! Mande um email parasaiagilmar@gmail.com ou mesmo envie um comentário neste post dizendo seu Estado e Cidade e publicaremos no Blog! O poder do povo vai fazer um país novo!

Gilmar comentou o ato


Em seu eterno tom arrogante (o povo "pensa" que sabe), Gilmar condenou o ato, dizendo que não se deve ouvir as ruas, ou o povo, pois o Imperador sabe o que é melhor para o povo, inclusive mais do que o próprio povo:
Vamos ouvir as ruas para saber o que o povo pensa saber? O que o povo pensa sobre a concessão do habeas corpus? Isso é um problema. Não se dá independência a um juiz para que ele ficar consultando um sujeito na esquina.

O que você responderia a ao Gilmar Dantas?

- Por que não se pode ouvir o povo, mas se pode ouvir a executiva do Democratas e passar o natal com o advogado do Daniel Dantas, escutando a noite inteira seus desejos de ano novo?
- E se não pode ouvir o povo, o juiz pode falar fora dos autos, condenando antecipadamente movimentos sociais que deverá julgar posteriormente de forma imparcial?
- E os outros ministros do Supremo, como Joaquim Barbosa, ele também não deve ouvir?
- Quem paga o salário dele (pelo menos o declarado) é o povo ou os que ele vem ouvindo para dar dois habeas corpus em menos de 24horas, como nenhuma outra corte do mundo inteiro já fez?

O blog do movimento é: http://saiagilmar.blogspot.com/ Aguardemos os desdobramentos.

Porque la vida es gratis



A partir de hoje estou inaugurando a sessão "Porque la vida es gratis" neste blog, inspirada em David de Ugarte. Assim, farei um esforço para postar com a máxima frequência possível coisas interessantes que podem ser baixadas pela Web. A pesquisa é minha e os benefícios são seus.

Texto do dia: Blogosfera nas eleições presidenciais

Texto publicado sobre internet em um importante periódico brasileiro. Se se interessar pelo resumo clique ao lado para baixar o texto (porque la vida es gratis)

Sociedade e Estado

ISSN 0102-6992 versãoimpressa

Resumo

GRUN, Roberto. Guerra cultural e transformações sociais: as eleições presidenciais de 2006 e a "blogosfera". Soc. estado. [online]. 2008, vol.23, n.3, pp. 621-666. ISSN 0102-6992. doi: 10.1590/S0102-69922008000300005.

O texto defende a idéia de que as esferas econômica e financeira da sociedade dependem de pressupostos culturais que aparentam ser permanentes, mas são contingentes. Para isso, analisa alguns aspectos da disputa política em torno das eleições presidenciais brasileiras de 2006 a partir das polissemias que foram produzidas ou realçadas no período e tenta extrair algumas conseqüências sociológicas dos embates revelados pelas disputas de sentido.

Palavras-chave : sociologia econômica; sociologia das finanças; disputas culturais; "blogosfera"; polissemia; cultura econômica.

7 de mai. de 2009

Petition on line contra o trabalho escravo


Fonte: www.prt4.mpt.gov.br/pastas/coorden/imagens/

Posto abaixo e-mail que recebi de uma lista para assinatura de um abaixo assinado favorável à PEC 438/2001 [veja aqui a longa tramitação da PEC - os nobres deputados embromam até não poder mais: SSB]. Mais uma interessante manifestação política via web: o n de signatários on line é quase o mesmo dos signatários dos manuscritos.

Segue o link para assinatura do abaixo-assinado para a aprovação do Projeto de Emenda Constitucional n. 438/2001 que visa estabelecer o confisco das terras em que forem encontrados trabalhadores em condições análogas à de escravo, destinando-as para a reforma agrária.

http://www.trabalhoescravo.org.br/abaixo-assinado/

Texto do dia: Katz & Meyer, 1994



Se eu tivesse tempo escreveria um artigo analisando as propostas de financiamento público a partir da teoria dos cartéis partidários (de Katz & Meyer, 1994). Partidos mais burocratizados e mais inseridos no aparelho de Estado (ou seja: os "partidos de notáveis" liberal-conservadores, a social-democracia tradicional etc.) defendem o monopólio do Estado sobre o financiamento de campanha (sob o eufemismo do "financiamento público" exclusivo), enquanto partidos e candidatos "outsiders" tendem a combater essa espécie de reserva de mercado sobre o financiamento de campanhas.

Clique aqui para baixar o texto em espanhol

Para uma versão ampliada do folder acima, clique aqui

Gastos na internet aguardam sanção presidencial



Câmara aprova projeto que obriga poder público a divulgar gastos na internet

MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

Os deputados aprovaram nesta terça-feira um projeto [clique aqui para ver o PL -SSB] que pretende dar maior transparência na divulgação dos gastos da União, Estados e municípios. De acordo com a proposta, todos os Poderes terão que disponibilizar na internet, em tempo real, todos os dados referentes ao orçamento, como despesas, receitas e transferências.

A medida envolve Executivo, Legislativo, Judiciário, além de Câmara de Vereadores, prefeituras e assembleias. A proposta determina ainda que partidos políticos, sindicatos, associações e pessoas físicas terão o direito de denunciar aos tribunais de contas a não-disponibilização dos dados do orçamento.

Além de exigir a divulgação em tempo real da execução orçamentária, o projeto estabelece que o poder público realizará audiências públicas de consulta à população para elaboração de todas as leis referentes ao sistema orçamentário, como o PPA (Plano Plurianual) e a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

Segundo o relator da matéria, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), a proposta combate à corrupção. "É para abrir tudo, todas as informações, toda a execução orçamentária. Além de proporcionar ao cidadão o significado mais importante da expressão cidadania permitindo participar da vida pública", disse.

O projeto vai agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Brechas

A votação das matérias só foi possível porque o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e os líderes chegaram a um acordo nesta terça-feira para utilizar o entendimento de que a Casa pode ignorar as medidas provisórias para votar projetos de lei, como lei complementares e PEC (Proposta de Emenda Constitucional), que não podem ser editadas por medida provisória, desde que sejam convocadas sessões extraordinárias.

6 de mai. de 2009

Uso de banda larga cresce 22% em um ano no Brasil


06/05/2009 - 10h54

O acesso à internet por banda larga [clique para saber o que é - SSB] em casa cresceu 22% em março deste ano, na comparação com o mesmo mês de 2008, chegando a 22,3 milhões de pessoas. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (6) pelo Ibope Nielsen Online.

Segundo o estudo, 88% dos usuários residenciais ativos de internet --que acessam a rede ao menos uma vez no mês-- fizeram uso da banda larga em março. Enquanto isso, a quantidade de internautas por linha discada, que se mantinha na casa dos 4 milhões nos últimos dois anos, caiu para 3,2 milhões em março.

No total, o Brasil registrou 25,5 milhões de usuários ativos de internet residencial em março, uma alta de 12% em relação ao mesmo mês de 2008. Na comparação com fevereiro, o crescimento foi de 2,6%.

"A substituição da linha discada pela banda larga vem sendo a principal responsável pelo aumento do uso da internet em residências no início de 2009", afirma José Calazans, analista de Mídia do IBOPE Nielsen Online.

Isso se reflete também no número de horas gastas na rede, quesito no qual o Brasil é campeão. A razão é que, em média, o usuário de banda larga navega mais que o de linha discada. Em março, o internauta brasileiro com linha discada navegou por 17 horas e 11 minutos, enquanto o de banda larga somou 27 horas e 28 minutos.

O internauta brasileiro navegou, em média, 26 horas e 15 minutos no mês --uma marca recorde que representa crescimento de 10% em relação a março de 2008. Em segundo vieram os usuários do Reino Unido, com 25 horas, seguido por França (24 horas), e a Alemanha (23 horas e 53 minutos).

Circula pelo youtube

Outro vídeo que está tendo boa divulgação na web,
circulando por várias listas e com boa audiência no youtube é o que segue ao lado, comentando os escândalos das "passagens" dos deputados. O jornalista, embora bastante conservador, faz alguns comentários interessantes. Vale a pena assistir.
Clique aqui para assistir o vídeo
- SSB

Obama mania


Fonte: http://www.flickr.com/photos/whitehouse/ (04/05/2008)

Lula foi financiado por 1.319 doadores; Obama, por 3,5 mi
TSE quer regulamentar uso da internet para ampliar número de pequenas contribuições

Nas eleições municipais de 2008, cada candidato teve, em média, 2,6 doadores; Gilberto Kassab foi eleito com o apoio de apenas 109

FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Os cerca de 380 mil candidatos a prefeito e a vereador em 2008 tiveram, em média, 2,6 doadores cada um. Mesmo quando se observa as três capitais mais relevantes, é diminuto o número de pessoas dispostas a dar dinheiro para políticos em campanha.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), teve 109 doadores no ano passado. No Rio, Eduardo Paes (PMDB) recebeu dinheiro de 61 fontes. E em Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB) só conseguiu obter recursos de 27 financiadores.
Em 2006, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 1.319 doadores (que fizeram 1.364 contribuições). No mesmo ano, José Serra (PSDB) foi eleito governador de São Paulo com a ajuda de somente 55 financiadores.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que o pequeno número de pessoas dispostas a doar tornou-se marca das campanhas brasileiras.
Em 2006, quando foram eleitos deputados, senadores, governadores e presidente, o número médio de doadores por candidato foi de 8,6, maior do que em 2008. Mas o total de candidatos três anos atrás foi de cerca de 18 mil, muito menor do que o total que concorreu em 2008 nos municípios.
Nos EUA, as campanhas atraem muito mais doadores. Há o exemplo do democrata Barack Obama, que em 2008 teve perto de 3,5 milhões de financiadores -dos quais ao menos 2,5 milhões contribuíram com menos de US$ 200.
O candidato derrotado, o republicano John McCain, e os outros nomes de sua sigla que tentaram disputar a Casa Branca, tiveram mais de 1 milhão de doadores de até US$ 200.
Mesmo antes do uso disseminado da internet, o número de doadores nos EUA já era alto. Segundo o professor de ciência política David King, da Universidade Harvard, os concorrentes de todos os partidos à Casa Branca em 2004 receberam dinheiro de 2,1 milhões de eleitores considerados "pequenos doadores" -até US$ 200.
Esse número é mais do que o dobro dos doadores para os cerca de 380 mil candidatos a prefeito e vereador no Brasil em 2008 -quando 946 mil pessoas ou empresas deram dinheiro.
Para o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, a baixa participação de eleitores "expressa uma apatia cívica flagrante, que acaba produzindo um vácuo sempre preenchido pelo poder do ativismo econômico, com poucos doadores fazendo grandes contribuições".
O cenário é decorrente de um modelo no qual partidos e candidatos privilegiaram o caminho mais cômodo. No passado, o uso do caixa dois era generalizado. Tornava-se desnecessário buscar pequenos doadores. Nos últimos dez anos, o cerco começou a fechar -culminando com o mensalão, em 2005.
A estratégia dos partidos pós-mensalão foi canalizar doações diretamente para as agremiações. Dessa forma não fica claro quem fez a doação.
"A fonte natural de doações deveria ser o corpo de filiados. Isso não ocorre no Brasil por duas razões principais. Primeiro, porque há uma descaracterização ideológica e estrutural dos partidos. Isso faz com que o eleitor não se sinta compelido a contribuir. Segundo, porque as siglas se acostumaram a receber de 20 ou 30 grandes doadores", diz Ayres Britto.
O presidente do TSE considera "anomalia" certas empresas doarem para todos os candidatos. "Mostra que não têm comprometimento ideológico com ninguém", afirma.
Para tentar ampliar o número de doadores, o TSE está produzindo resolução que regulamenta o uso da internet. A partir de 2010, se vingar a ideia, candidatos terão sites em que serão aceitas pequenas contribuições identificadas com cartões de débito ou crédito.